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O nada novo Ensino Médio

  • jornalatipo
  • 12 de ago. de 2021
  • 2 min de leitura

Está prevista para 2022 a implementação do Novo Ensino Médio. Apesar desse nome trazer a ideia de algo inovador e inédito, essa reforma, na verdade, representa mais um grande retrocesso na educação do país, típico e esperado das políticas públicas dos governos Temer e Bolsonaro. O que essa medida traz de mais preocupante é uma relação de causa e consequência, no que diz respeito à desvalorização do professor e das matérias básicas, bem como ao ensino voltado mais aos interesses do mercado do que à emancipação social.


Como já visto na postagem do Jornal Atipó sobre a Reforma do Ensino Médio, será introduzido um projeto de itinerário formativo, preparando o estudante para a inserção no mercado de trabalho. Com isso, apenas as matérias de português e matemática serão ofertadas como obrigatórias, enquanto que o restante das matérias corresponderão a uma das áreas do conhecimento escolhida pelo aluno - Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza ou Ciências Humanas.


Em função do itinerário formativo, a carga destinada às matérias de formação geral será reduzida, antes de 2,4 mil horas, passando agora para 1,8 mil. Isso resultará na prejudicial redução de salários dos professores da rede privada e em uma formação unilateral, em que o estudante tem contato apenas com uma abordagem de interação com o entorno. Tendo em vista que cada área do conhecimento traduz uma atividade humana e uma forma de ver o mundo, é evidente que o Novo Ensino Médio trará experiências incompletas e empobrecidas para o estudante.


Por isso, outro problema dessa reforma é a ausência de uma educação crítica e emancipadora. Demerval Saviani, renomado pedagogo brasileiro, em sua obra “Escola e Democracia”, atenta-se à importância de um ensino que aproxime o conteúdo dado em sala de aula com a realidade prática dos alunos, para que eles vejam sentido no que estão aprendendo e consigam utilizar desse conhecimento para entender seu entorno, e enxergá-lo de forma crítica. Apenas assim é possível construir uma sociedade com indivíduos emancipados, mobilizados para sua transformação frente aos problemas sociais. No entanto, como a transformação social não é de interesse do sistema capitalista, prioriza-se um ensino técnico não reflexivo formador de indivíduos alienados, qualificados para dar continuidade ao sistema sem refletir sobre ele.


Está mais do que evidente o retrocesso que significa o Novo Ensino Médio. Ao reduzir a carga horária das disciplinas de formação geral, não apenas o estudante, como também o professor, são prejudicados. Em lugar disso, consolida-se um ensino técnico alienante. Assim, não é exagero afirmar contundentemente que o Novo Ensino Médio é um projeto de dominação contra toda a classe trabalhadora.


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