Morrer de covid ou morrer de fome: o que representa a fala de Maju Coutinho?
- jornalatipo
- 28 de mar. de 2021
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A fala da jornalista Maju Coutinho, ao apresentar o Jornal Hoje, da Rede Globo, no dia 17 de março, repercutiu e gerou diversas polêmicas na internet. Ao defender o lockdown, a apresentadora disse que “o choro é livre, não dá para a gente reclamar, é isso que tem”. O tom de insensibilidade com a população que está sofrendo duramente com as consequências socioeconômicas das políticas de isolamento incomodou muita gente. O lockdown pode trazer malefícios, mas isso nunca foi negado, e descartar essa estratégia por isso não é o mais apropriado.
A estratégia de alguns setores da direita política para rechaçar medidas de isolamento social tem sido afirmar que elas trariam desemprego e miséria para a população. Porém, no lugar disso, deve-se deixar o povo morrer contaminado? Essa falsa polarização entre morrer de fome ou de covid, como se fossem as únicas opções possíveis, oculta o ponto principal do debate: é dever do Estado brasileiro garantir que o povo possa cumprir quarentena sem que passe necessidades. Auxílio emergencial digno, fornecimento adequado de dispositivos eletrônicos para estudantes de escola pública, ajuda a pequenos comerciantes e suspensão de ordens de despejo são algumas medidas que, alinhadas a restrições de circulação, como o lockdown, garantem saúde e condições de vida apropriadas.
O discurso de austeridade fiscal, de que não há saída e gastos precisam ser cortados, serve como desculpa para redução do valor do auxílio emergencial e congelamento dos salários dos servidores públicos. Enquanto isso, o Congresso, sob orientação do presidente, perdoa dívidas bilionárias de igrejas. Não é uma questão de ausência de opções, e sim de escolhas políticas que comprometem a saúde da população. Ao contrário do que diz Maju Coutinho, é preciso reclamar sim, mas mirar nos alvos certos.





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