Jovem e Rebelde
- jornalatipo
- 10 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
O que é ser estudante? Esse lugar nem sempre teve a sua identidade própria e bem definida. Voltando nossos olhares para o passado, faz muito pouco tempo que a juventude deixou de ser apenas uma categoria etária e passou a representar a vontade por mudança, a rebeldia contra todos os padrões impostos, um grupo político em busca de se fazer ouvir. Muito disso surgiu e se consolidou com os movimentos de Maio de 68. Vamos conhecer um pouco dessa história.
O ano de 1968 foi como um grito. Um desejo por liberdade, um vigor revolucionário, uma vontade de subverter a ordem estabelecida. Farta da anestesia e da alienação, inconformada com o seu destino de se tornar apenas mais uma engrenagem no sistema, a juventude universitária encontra uma brecha para vazar aquele seu poderoso ímpeto por transformação social. Assim, ocorre uma grande ebulição de revoltas estudantis, que começou na França, mas se alastrou para os EUA, Alemanha, Polônia, Bélgica e América Latina. Maio de 68 foi uma onda de choque no planeta.
O Brasil, nesse ano, enfrentava uma ditadura e os ânimos políticos estavam à flor da pele. Construía-se resistência em diversas alas da sociedade e a repressão diminuía as esperanças. Nesse clima de contestação, os estudantes já vinham realizando manifestações pelo ensino público e gratuito, por maior participação estudantil nas decisões das instituições, por mais verba para a pesquisa e por melhoria nos bandejões. Porém, o estopim foi a invasão pela polícia do restaurante universitário Calabouço e o assassinato do secundarista Edson Luís de Lima Souto, que veio a se tornar um símbolo da luta estudantil.
O “ano rebelde” de 1968 foi seguido pela intensa repressão dos “anos de chumbo”, com a instauração do AI-5 em 13 de dezembro daquele ano. Muitos desses sentimentos que fazem da juventude o que ela é sobreviveram ao tempo e às tentativas de apagamento. É algo que deve ser reconhecido e preservado para que continue instigando corações nas próximas gerações. As ferramentas para manter a sociedade se transformando estão nas nossas mãos, cabe a nós utilizá-las com sabedoria, em prol da justiça, da igualdade e do amor.





Comentários