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A educação pública na pandemia: quem é o culpado desse (des)caso?

  • jornalatipo
  • 13 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

Hoje, um ano após a chegada da pandemia de covid-19 no Brasil, encontramos um cenário delicado de grande números de mortos pelo vírus e o agravamento das crises política, econômica e sanitária no país. São imensuráveis os efeitos desse caos para a educação, sobretudo a pública, tanto no ensino básico, quanto no superior. A partir da situação das universidades federais, como também da educação básica, é possível observar a pandemia como um cenário favorável ao sucateamento e desvalorização do ensino público.


A reitora da UFRJ disse em um artigo do jornal “O Globo” que a universidade corre risco de fechar em julho, em função da falta de verbas. A UFF também passa pela mesma situação. Não é a primeira vez que a educação é prejudicada por cortes como esse, mas, com a pandemia, a situação torna-se ainda mais alarmante. A adoção emergencial do ensino à distância torna o aprendizado e as aulas precárias, fortalecendo o discurso desqualificante da educação pública, acompanhado da defesa de privatização das instituições públicas de ensino pelos neoliberais. O governo Bolsonaro se mostrou propagador de ódio à educação pública desde antes da pandemia, no início de seu mandato, quando, em 2019, realizou sucessivos cortes em diferentes instituições federais de ensino, provocando manifestações por todo o país em repúdio a essas medidas. Assim, o sucateamento da educação pública é um projeto do governo federal, que, na pandemia, ganha ainda mais força para realizar-se.


Junto à desqualificação da educação pública, também existe o discurso de ódio ao professor, sobretudo os da rede pública. Culpabiliza-se o professor pela precarização do ensino público, transferindo uma responsabilidade que é do Estado e do governo, ao profissional de educação, que tem seu trabalho limitado pela ausência de recursos ofertados nas instituições. Com isso, cresce um discurso de ódio aos professores, negligente às suas demandas de trabalho. É possível observar isso na fala do deputado federal Ricardo Barros, em entrevista para a CNN Brasil, “só os professores não querem trabalhar”, referindo-se à posição dos professores contrária ao retorno das aulas presenciais antes da vacinação em massa da população brasileira.


Não apenas o ensino superior, o ensino básico também é vítima de negligência e descaso. Foi aprovado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que classifica as escolas como “essenciais”, proibindo a suspensão das aulas presenciais em momentos de pandemia e calamidades públicas. Esse projeto, no entanto, é negligente à saúde de professores e estudantes, bem como à qualidade do ensino. Como reivindicar o retorno às aulas presenciais no auge de uma pandemia e não priorizar, ao menos, os professores na fila de vacinação? Paralelamente a isso, o governo municipal de Niterói decretou o retorno presencial de unidades de educação infantil. Essas escolas, agora, se encontram na luta e na busca por alternativas seguras e que não comprometam o trabalho pedagógico, que se torna ainda mais desafiador, no que se refere à medidas como distanciamento social e uso de máscaras com essa faixa etária.


Portanto, podemos constatar que a pandemia de Covid-19 fortalece o projeto neoliberal do governo de sucatear a educação pública, em paralelo com o discurso desqualificante das instituições públicas e da figura do professor. Para muito além da responsabilidade do profissional de educação, as instituições de ensino precisam ser valorizadas, respeitadas e devidamente financiadas, sendo dever do cidadão brasileiro repudiar a mão bolsonarista no direito que é dele e de todos nós.



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