Greve de professores da rede municipal de São Gonçalo
- jornalatipo
- 3 de mar. de 2021
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Desde agosto deste ano, o corpo docente da rede municipal de São Gonçalo está paralisado. A decisão foi tomada em assembleia da categoria, no dia 3 de agosto, lógo após a volta às aulas do recesso de meio de ano, e diversos professores foram aderindo ao longo do mês. As reivindicações pleiteiam o cumprimento da lei e a maior valorização do profissional de educação.
A prefeitura de São Gonçalo não vem conferindo as necessidades básicas da rede municipal de educação, sem mesmo cumprir com o piso nacional do magistério, pagando salários abaixo do mínimo, além de gratificações atrasadas. O professor Eduardo de Souza Gomes, que leciona história na rede, relata que não há correção salarial para os professores há anos, nem mesmo a nível de inflação. "Trata-se de uma falta de respeito com pessoas que dedicaram boa parte de suas vidas a estudos e que agora são humilhadas com essa situação. Isso já basta. O profissional da educação deve ser valorizado, para poder melhor se dedicar a sua atuação profissional, sem preocupação se sua luz vai ou não cortar por falta de pagamento."
No ano passado (2017), foi feito um acordo judicial de parcelamento entre o sindicato, a prefeitura e o Ministério Público, que tornaria obrigatório o pagamento dos salários reajustados a partir deste ano. Entretanto, tal acordo foi descumprido. "Foram feitas várias tentativas de negociações, paralisações e meia-paralisações para, em agosto, após não termos sido atendidos, finalmente entrarmos em greve", afirma Eduardo.
O problema vai além da atual crise financeira no país. Nem mesmo o FUNDEB, fundo monetário cedido pelo governo federal para valorizar a educação pública municipal, garantiu que os acordos do Ministério Público fossem efetuados. "Vale lembrar que dinheiro para isso tem. (...) O próprio MP já calculou que os aumentos pedidos estão dentro das possibilidades da prefeitura", relata Luís Emílio Gomes, também professor de história na rede municipal.
Os alunos também são vítimas desse descaso. A professora Mônica, atuante no Complexo do Salgueiro, acompanha de perto essa realidade. "O nosso aluno, a parte mais pobre e mais frágil, acaba perdendo muita coisa. Por mais que a gente pague as aulas que não estamos dando, são perdas imensuráveis". O professor Luís também completa "para os alunos, uma greve é terrível. Atrapalha o rendimento, o 'ritmo' de estudo, muitas vezes sacrifica as férias, os finais de semana, além de trazer um prejuízo no aprendizado. Sabemos disso e é interesse de todos que a greve sempre seja a mais breve possível, porém, a prefeitura - aparentemente - prefere querer 'vencer pelo cansaço' ".
Apesar das dificuldades, alguns alunos são solidários ao movimento dos professores, criando um espírito de união e esperança. "Na nossa escola, em especial, acabamos fazendo com que os alunos se conscientizassem e exercessem também o direito deles de cidadãos", afirma a professora Mônica.
Até o presente momento, a prefeitura não tomou medidas a respeito. Segundo Eduardo, "as negociações estão ocorrendo, mas ainda sem terem sido cumpridas as reivindicações centrais". Porém, os professores continuarão resistindo. "Começar valorizando os profissionais que diariamente se dedicam a missão educadora no município, tal como valorizar o ambiente de aprendizado dos alunos, com merenda, estrutura, transporte e materiais de qualidade, são apenas direitos humanos básicos e o mínimo que buscamos para começar essa 'revolução' na educação que tanto idealizamos."





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