Corte de verbas no CNPq
- jornalatipo
- 3 de mar. de 2021
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O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou um corte de 800 milhões de reais para 2019, inviabilizando aproximadamente 200 mil bolsas. Tal medida afetará diretamente a pesquisa científica em diversas áreas, como agronomia, medicina, matemática, física, sociologia, antropologia e história.
Por conseguinte, o corte das bolsas também prejudicará os estudantes, sobretudo os de baixa renda, por afastá-los dos benefícios e oportunidades que delas recebem. A estudante Robertha Braga, bolsista de uma iniciação científica na Fio Cruz, alega que a bolsa foi de extrema importância para sua formação pessoal e acadêmica. "Quando eu consegui entrar nesse projeto, foi uma coisa muito fomentadora para mim porque eu pude participar de coisas, produzir coisas que vão efetivamente me ajudar no futuro. Acho que foi de extrema importância para mim por que me ajudou a encontrar a minha vocação" ela diz, e completa: "É muito importante fazer um projeto como a iniciação científica porque você acaba tendo uma visão de mundo cada vez mais ampliada e não só fechada nos muros da escola".
Talíria Petrone, vereadora de Niterói, presidente da Comissão de Direitos Humanos e professora de História, também se posiciona contrária ao corte de verbas e enxerga um grande problema vindo dele. "É muito grave, porque se a gente tem um Brasil ainda com tantas desigualdades que permanecem, um Brasil que ainda reproduz a lógica escravista, patriarcal, fundamentalista, colonial mesmo - nosso capitalismo se apropriou disso tudo -, a gente precisa de uma educação que rompa com isso. E o pilar de ensino, pesquisa e extensão é fundamental".
Dessa forma, as bolsas nos projetos de pesquisa científica se mostram fundamentais para os jovens se descobrirem na área profissional e encontrar sua vocação. Mas para além disso tudo, elas ainda cumprem com um papel de incentivo aos estudantes com o auxílio das tarefas que demandam verba. Robertha ainda conta: "Você cria uma autonomia muito grande. Parte dessa autonomia é conseguir se deslocar até o local, conseguir conciliar com a escola, você precisa ter uma alimentação. Estar fazendo um projeto é uma coisa que enriquece, mas também é preciso ter formas de continuar isso. Querendo ou não, essa ajuda de custo é necessária para te incentivar e te ajudar a prosseguir naquilo".

Imagem: Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG)




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