Da série LATINAS: El Salvador
- jornalatipo
- 3 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
El Salvador é um dos países da América Latina com a legislação mais proibitiva em relação ao aborto. É considerado crime em qualquer situação, mesmo em casos de estupro, de feto defeituoso ou de risco de vida para a mãe. Inúmeros são os casos de mulheres que recorrem a clínicas clandestinas. Entre 2005 e 2008, houve cerca de 19.290 abortos no país, sendo mais de 1/4 dessas mulheres menores de idade.
Além disso, essa legislação representa um risco para todas as mulheres. Em 2008, a jovem salvadorenha Carmen Vásquez ficou grávida com apenas 18 anos, vítima de um estupro. Ela acabou por sofrer um aborto espontâneo e foi levada a um hospital da capital, San Salvador, onde foi acusada injustamente pelos médicos de ter induzido o aborto. Carmen foi levada a julgamento e condenada a 30 anos de prisão, por homicídio grave. Foi liberta apenas em março de 2015. Não são raros casos como o de Carmen Vásquez. Além dela, outras 16 mulheres foram julgadas culpadas por abortos espontâneos em até 40 anos de prisão, de 1999 a 2011.
Essas mulheres se uniram e constituem o movimento "Las 17", que luta contra a violência do Estado às mulheres e à favor de melhores condições no sistema de saúde pública. Confira mais sobre sua luta no link: https://las17.org/ .
O presidente de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, tenta propor, desde 2014, uma reforma que permita a iterrupção da gravidez em casos de estupro e de risco de vida da mãe. Entretanto, sempre é barrada pelos deputados, de maioria conservadora.
El Salvador tem forte influência da Igreja Católica nas decisões políticas, o que dificulta a abertura para esse debate. Os impactos disso na sociedade são alarmantes. O país configura a maior taxa de gravidez na adolescência da América Latina, foram regitrados 1.346 casos de estupro em 2013 e 57% das garotas grávidas entre 10 a 19 anos cometem suicídio.
Apesar dos embates, as salvadorenhas seguem unidas, organizadas em vários movimentos. "Las 17" contam com o apoio da "Agrupación Ciudadana por la Despenalización del Aborto", da "Colectiva Feminista", entre outros grupos, todas com um objetivo em comum: a conquista de seus direitos.




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